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domingo, 24 de junho de 2012

Leia o documento final da Rio+20, “O Futuro que Queremos”

O texto “O Futuro que Queremos”, documento final da conferência sobre desenvolvimento sustentável da ONU (Rio+20) que foi determinado pelos negociadores e chefes de Estado está disponível para leitura.
Apesar da conferência acontecer no Brasil, o documento é publicado apenas nas línguas oficiais das Nações Unidas — inglês, espanhol, francês, russo, chinês e árabe.
O texto pode ser lido em inglês neste link.
A versão em espanhol está disponível aqui.

 Até amanhã, amig@s!
 
Fonte: Folha.com

Crianças de várias regiões do país entregam ao governo brasileiro propostas sobre a sustentabilidade

Igor Mateus Broc tem 12 anos, mora no município gaúcho de Pontão e está no Rio de Janeiro pela primeira vez. Ele faz parte do grupo de 100 crianças de aldeias indígenas, ribeirinhas, de comunidades quilombolas, pantaneiras, do Semiárido, de centros urbanos, de zonas rurais e com deficiências. Elas participaram de oficinas e fóruns ambientais na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e elaboraram um documento com propostas sustentáveis para o governo brasileiro.
Carta das Crianças para a Terra foi entregue hoje (22) à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, pelas crianças e pela apresentadora Xuxa Meneghel, no espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana. A carta é resultado do projeto +Criança na Rio+20, promovido pela fundação Xuxa Meneghel.
“Eu entendo que a participação das crianças na Rio+20 é muito importante para melhorar o futuro do nosso planeta. Porque ele está acabando aos poucos pela poluição e pelo desmatamento”, disse Igor Broc. Para ele, as crianças podem contribuir em muito para melhorar a situação ambiental do planeta. “Já que os adultos não estão fazendo muita coisa, a gente pode tentar melhorar, fazer uma conscientização para melhorar o planeta”, completou.
Por meio de desenhos e frases, as crianças expressaram as suas prioridades e anseios rumo ao desenvolvimento sustentável. Cleiton Vieira Santos, da Aldeia Xandó, no município de Porto Seguro, na Bahia, cobrou melhores condições de habitação. “Tem que melhorar também a moradia das pessoas. Elas moram em beira de praia e qualquer vento pode levar [as casas]. Várias coisas precisamos. Tem que mudar o modo de vida das pessoas”.
Elizangela Souza dos Santos, da comunidade Vila Moura, em Tefé, no Amazonas, destacou a importância da participação das crianças na contribuição para melhorar o meio ambiente. “A gente tem que fazer o impossível para ajudar o planeta Terra”, disse. “Não jogando lixo nos rios, não desmatando a floresta, não poluindo o ar”, acrescentou.
A carta entregue à ministra contém, segundo Kemia Rodrigues Souza, de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, um resumo de todas as propostas. “A gente resumiu nessa carta [as propostas] para que as pessoas leiam e se conscientizem para mudar o mundo”, disse. Já a gaucha Ana Claudia da Silva pediu à ministra a adoção de medidas que diminuam a aplicação de agrotóxicos nas lavouras. “Isso faz muito mal à saúde”, alertou.
Xuxa lamentou que as pessoas não ouçam mais o que as crianças têm a dizer. “Está todo mundo preocupado com o agora, com o presente. Só que as mudanças só vão ser feitas no futuro. E eles [crianças] são o futuro. Eles deixaram claro na carta que precisam de informação, saber o que têm de fazer. As crianças querem ser informadas, porque elas é que vão fazer a mudança”, declarou. A apresentadora da TV Globo pediu à ministra que dê solução para os problemas relatados no documento pelas crianças. “É diferente de nós, que precisamos de uma solução para agora. Eles precisam de uma solução para sempre”, ressaltou.
A ministra do Meio Ambiente destacou a importância de as crianças e os jovens que representam hoje um quarto da população do Brasil se preocuparem com as questões ambientais. As queixas formuladas pelas crianças “são parte da minha luta”, disse Izabella Teixeira.
“Eles vão transformar os padrões de consumo, eles vão pedir: eu quero comer melhor. O mundo espera que o Brasil produza 20 % de todo o alimento necessário ao aumento populacional até 2050. Estou falando de 9 bilhões de pessoas no planeta. Vinte por cento desses alimentos sairão do Brasil”.
A ministra assegurou que o Brasil pode fazer isso, “sem destruir floresta, sem contaminar a água, sem usar agrotóxico, colocando agroecologia e ensinando eles [crianças]”. São elas, destacou Izabella Teixeira, que têm que dizer: “Nós queremos desse jeito. São eles que vão fazer a transformação, a partir de agora”.
A ministra disse que a Carta das Crianças para a Terra será divulgada no site do ministério. Elas declarou ainda que as crianças e os jovens têm um espaço no ministério para debater as políticas públicas. “Vão para lá fazer conferências, debates, e vão me cobrar isso”. E prometeu que será feita uma reunião anual com as crianças para saber o que “andou ou não andou, como andou, porque é assim que a gente transforma. É isso que movimenta”.

Até amanhã,amig@s!
 
Fonte: Agência Brasil

Avanço a partir da Rio+20 depende de financiamento, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (22) que o texto final da Rio+20 é apenas “um ponto de partida” e que um próximo passo deve envolver o financiamento de medidas para o desenvolvimento sustentável.

Nações ricas atribuíram à crise econômica a impossibilidade de se comprometerem com recursos para o meio ambiente, e um fundo proposto de 30 bilhões de dólares para ajudar países em desenvolvimento a implantar medidas de proteção ao meio ambiente foi descartado do documento final da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável.
“Um documento de conferência sobre meio ambiente, sobre desenvolvimento sustentável, biodiversidade, a erradicação da pobreza, necessariamente, é um ponto de partida, porque é até aonde as nações chegaram em seu conjunto”, disse Dilma em entrevista coletiva pouco antes da sessão plenária de encerramento da cúpula.
“O que nós temos que exigir é que a partir desse momento as nações avancem. O que nós não podemos conceber é que alguém fique aquem dessa posição. Além dessa posição todos podem ir, todos devem ir”, acrescentou.
O texto final da Rio+20 aprovado nas negociações prévias à reunião de cúpula, que foram lideradas pelo Brasil, recebeu críticas de ambientalistas e de delegações internacionais, principalmente da Europa, que apontaram uma falta de ambição.
A delegação brasileira, no entanto, afirmou que os países europeus foram “contraditórios” ao reclamarem da falta de ambição ao mesmo tempo em que se recusaram a disponibilizar meios de financimento.
“Muitos países não quiseram assinar a questão do financiamento. Uma das formas de se evoluir daqui pra frente é colocar isso na pauta”, disse Dilma. “Os países desenvolvidos não querem que isso seja posto na pauta, e nós queremos que seja posto na pauta.”
A presidente ainda defendeu o resultado da conferência e elogiou a diplomacia brasileira por ter conseguido fechar um documento que será firmado por chefes de Estado e governo no encerramento da reunião.
Dilma disse que suas expectativas prévias para o evento foram “totalmente satisfeitas” e que a Rio+20 mostrou ao mundo que os países emergentes são capazes de realizarem com eficiência cúpulas internacionais de alto nível.

Até amanhã, amig@s !
Fonte: Folha.com

Conceito de sustentabilidade foi distorcido, afirma leitor da Folha.com

O relatório “Nosso Futuro Comum”, de 1987, foi responsável por cunhar o conceito de desenvolvimento sustentável e trazer a sustentabilidade para o centro da agenda internacional.
Muitos dos conceitos e estratégias apontados nele têm guiado diretrizes políticas até hoje, em busca de um equilíbrio entre crescimento econômico, desenvolvimento social e proteção ao meio ambiente.
O conceito de desenvolvimento sustentável pressupõe atenção a esses três pilares, mas, nos últimos 20 anos, ele parece ter sido distorcido e frequentemente associado apenas à dimensão ambiental.
Tal visão restrita e compartimentada gera novos desafios para governos e organismos internacionais, que devem enfrentar as interdependências ecológica, econômica e social de maneira franca e direta.
Evaristo Sá – 20.jun.2012/France Presse
ORG XMIT: MMV156 Heads of state and government representatives attending the UN Conference on Sustainable Development Rio+20 pose for the family photo, in Rio de Janeiro, Brazil, on June 20, 2012. World leaders kicked off a three-day summit on environment and poverty to a warning from UN chief Ban Ki-moon that "time is not on our side" for fixing a mounting list of problems. AFP PHOTO / EVARISTO SA
Líderes e representates de Estado posam para foto na conferência Rio+20, que termina nesta sexta-feira
A Rio+20 lidou diretamente com essas questões.
Ainda existem grandes obstáculos ao processo de negociação multilateral para o desenvolvimento sustentável, que a reunião contornou.
Seus dois temas centrais, “a economia verde no contexto de desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza” e “o arcabouço institucional para o desenvolvimento sustentável”, buscam lidar com as lacunas deixadas pelas conferências anteriores e abarcar os novos desafios.
O Brasil se mostrou importante na resolução do documento oficial da conferência, o que nos alegra, já que necessitamos fazer algo urgentemente para que as próximas gerações não sejam afetadas.
E temos de idade, o homem é basicamente nada comparado à Terra, mas fomos nós quem quase a destruímos nos últimos dois séculos.

Até amanhã,amig@s!
 
Fonte: Folha.com

Faixa gigante na praia de Copacabana solicita atenção para oceanos

De frente para o mar de Copacabana, dezenas de pessoas encontraram inspiração para pedir a preservação de oceanos, na quinta-feira, 21 de junho. Em uma faixa de 150 metros estendida no calçadão, elas deixaram declarações de amor e cobraram dos governantes ações para salvar o ecossistema. A iniciativa é da ONU, que trouxe, pela primeira vez à América Latina, o artista espanhol Angel Arenas, idealizador do chamado Poema Gigante.

Os oceanos e mares são vitais para existência do ser humano porque produzem oxigênio e alimentos. A ONU afirmou que, três bilhões de pessoas dependem da biodiversidade marinha e costeira para a própria subsistência. Porém o tema não mereceu ações específicas de proteção no documento elaborado pelos chefes de Estado na Rio+20, de acordo com a Agência das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
“A situação dos oceanos ainda não teve muito destaque. Nas negociações da Rio+20 falamos muito sobre florestas, o que é normal, poluição do ar e uma série de outras questões. Os oceanos não foram muitos discutidos”, comentou o representante, Eric Falt.
O gari Richards Santos, de 28 anos, se preocupa com a quantidade de lixo na praia, principalmente pequenos dejetos, como guimbas de cigarro e canudos. Ele fez uma pausa para dar uma bronca em forma de poema e pedir para as pessoas levarem de volta o que trazem à praia. “É muito lixo que a gente tira. As pessoas deviam ter mais cuidado, com latas e garrafas PET”, declarou, enquanto parava rapidamente para deixar seu recado no poema.
Já o casal de turistas gaúchos Alvaci Gonçalves, de 66 anos, e José Gonçalves, de 68 anos, completaram a faixa pedindo a defesa da natureza. “Uma vez que a gente se conscientiza em salvar o planeta, o mar vai se beneficiar também. É um conjunto de atenção”, afirmou a aposentada, que veio ao Rio para participar dos eventos paralelos à conferência.
O artista Angel Arenas se diz contente com o engajamento do público. Segundo ele, os oceanos estão esquecidos na agenda internacional e a ideia do poema era tirar o assunto dos encontros oficiais e trazer para a orla. “Só a população pode pressionar os governos agora. Nosso objetivo aqui é esse. Fazer com que [as pessoas] tomem consciência de sua força e cobrem a limpeza do mar”, destacou sobre a obra, que será doada à prefeitura da cidade do Rio.

Até amanhã,amig@s!
 
Com informações da Agência Brasil.
Fonte: EcoD

Rio+20: Sociedade em Fragmentos

Sinto na pele o quanto a insustentabilidade pulsa em cada canto dos eventos da Rio+20. Dos geradores de energia a diesel – só o Greenpeace está produzindo sua energia – até os milhares de copinhos de isopor. Sinto-me parte desse mosaico fragmentado. Um caquinho jogado em meio a tantos tipos de resíduos diferentes, talvez como um grão de areia de uma obra do Vik Muniz, pois no geral, de longe, tudo é espetáculo.
Por cima passam helicópteros com os privilegiados que podem fugir do caos do trânsito. Na baía de Guanabara, grandes navios levam contêineres de exportações. Nas estreitas ruas, batedores produtores de silvos estridentes abrem caminho para as autoridades em carros blindados que “não podem” ficar trancados em engarrafamentos. No Rio está escancarada a falta de coesão da sociedade e dos governos. Tantos interesses e visões de mundo, onde salvar o planeta é apenas um pretexto.
Se em 92 a Cúpula dos Povos era o espaço da sociedade civil do mundo, nesta edição, o evento reúne principalmente entidades brasileiras, sedentas por recursos de instituições que podem financiar seus projetos. No Rio Centro, estão os demais estrangeiros. Enfim, para os cariocas, o Aterro do Flamengo é lugar de índio. Reclamam que o trânsito piorou com tanta programação e passeatas. Aliás, surgem vários protestos, com objetivos distintos. Cada movimento chama atenção para suas causas.
Ouvi da boca de uma fonte de alta credibilidade que para a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), expressivos representantes do movimento social, não criticam as posições do governo quanto ao rumo da política ambiental. Os movimentos da sociedade, incluindo os ambientalistas, disputam holofotes, enquanto as empresas se unem para mostrar como tem se preocupado com o ambiente.
Creio que o melhor para o planeta, para o ambiente do Rio ou de qualquer outra cidade, é não ter mais mega eventos desse tipo. Porém é importante para a humanidade, para os seres que erram e acertam. Principalmente para se conquistar mais espaço na mídia e até para se ter acesso a projetos incríveis, como o idealizado pela Bia Lessa e equipe.
Boa parte dos integrantes da sociedade civil que tem propriedade para debater e conduzir algo produtivo está envolvida com a produção. Recepcionam estrangeiros, estão ocupadíssimos na distribuição de colchonetes na hospedagem de ongueiros e índios no Sambódromo. A coordenadora da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Ivy Wiens, me falou ontem (19) que ainda não conseguiu acompanhar qualquer programação.
Enfim, passaram-se 40 anos desde Estocolmo, 10 anos da morte de José Lutzenberger – o ministro do Meio Ambiente do governo Collor que teve uma forte influência para a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil -, e ainda engatinhamos no básico da eterna busca pelo equilíbrio: dialogar e entrar em comum acordo nem que seja entre os ditos verdes. Será que o ser humano tem jeito?
Até o momento, uma das coisas mais legais que me deparei até o momento foram as oficinas do Fórum de Empreendedorismo Social. Lá tive contato com pessoas que estão fazendo a diferença e são felizes, superando inúmeras dificuldades. Vou ter que escrever um post contando só como foi essa experiência maravilhosa. Por agora, fico por aqui, pois preciso me preparar para a grande marcha que deverá reunir todas as tribos no Centro do Rio.

Até amanhã,amig@s!
 
Fonte: Silvia Marcuzzo/Mercado Ético

Rio+20 já produziu mais de 17 toneladas de ‘lixo limpo’

Em uma conferência da ONU onde o principal assunto é a sustentabilidade, oG1 acompanhou o destino do lixo que está sendo produzido no Riocentro durante a Rio+20.
Os materiais são recolhidos nas sedes do evento – HSBC Arena, Parque dos Atletas, Pier Mauá, Vivo Rio, MAM e Galpão da Cidadania – e pré-selecionados em recicláveis e não recicláveis. Depois disso, são armazenados em caçambas que comportam 35 metros cúbicos de lixo. Depois de cheias, elas são transportadas para a sede da ONG Doe Seu Lixo, em São Cristóvão.

Arísio Nogueira dos Santos, responsável pela limpeza das lixeiras do pavilhão da praça de alimentação do Riocentro, conta que no horário de pico os sacos das latas de lixo são retirados a cada cinco minutos.
Separação do lixo
Quando os resíduos são descarregados no galpão da ONG, eles passam por nova triagem, porque algumas coisas chegam contaminadas. “A gente precisa informar às pessoas o que elas precisam fazer para o descarte correto do material. É necessário limpar e separar corretamente. Qualquer resíduo que ficar pode contaminar e a gente não consegue vender porque perde o valor”, diz o assessor de comunicação Cleber Messias.
As latinhas são os produtos mais valorizados no comércio. Os 13 recicladores recebem entre R$ 200 e R$ 300 por semana de trabalho. Shirley da Silva Queiroz foi trabalhar no instituto depois que o Aterro de Gramacho fechou. Mãe de três filhos, ela diz que a consciência e a preocupação do meio ambiente tem que existir, pois é preciso protegê-lo para as futuras gerações.
Antenado com as discussões que estão acontecendo durante a Rio+20, o reciclador Luiz Antônio Borges Júnior acredita que a consciência das pessoas vai mudar. Ele conta que está fazendo a parte dele como cidadão. “Lá em casa o lixo é todo separado. Eu aprendi aqui e levei daqui para casa.”
Lixo vira arte
Conversando com o G1 ao limpar garrafas pet azuis, Antônio Amaro da Silva diz que as embalagens são levadas para completar um trabalho do renomado artista plástico brasileiro Vik Muniz. Quando perguntado se ele também se sentia um artista, humildemente ele diz que sim.
Energia a partir dos rejeitos
O processo não acaba na separação do lixo limpo e na venda destes produtos. Segundo Marcelo Santos, coordenador Operacional do Instituto Doe Seu Lixo, os resíduos que não podem ser reciclados, os rejeitos, seguem para uma usina verde e são transformados em energia. Para Feliphe Machado, “é importante englobar todos esses segmentos para ter a sustentabilidade tão desejada, principalmente neste evento da Rio+20”.

Até amanhã,amig@s!
 
Fonte: G1

Texto da Rio+20 não será reaberto, diz ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o coreano Ban Ki-moon, elogiou nesta quinta-feira (21) a forma como o governo brasileiro vem conduzindo as negociações na Rio+20.
Segundo Ban Ki-moon, o rascunho final da conferência, apesar de muito abrangente, é sim ambicioso e está colocando o mundo no caminho do desenvolvimento sustentável, segundo informações da ‘TV Globo’.

“O secretário-geral está confiante de que o documento final da Rio+20 fornece uma base sólida para promoção do desenvolvimento sustentável”, informou a ONU em comunicado.
Em entrevista nesta quinta-feira, o chefe de comunicação da Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, Nikhil Chandavarkar, afirmou que o rascunho de texto final acordado pelas delegações da Rio+20 não deverá ser reaberto ou receber novas contribuições.
“Não haverá anexos e o texto não será reaberto”, declarou o o porta-voz do secretariado da Rio+20.
“O papel de forte liderança do Brasil resultou em um documento final em que a agenda de desenvolvimento sustentável pode solidamente construir uma visão e um legado positivo”, diz também o comunicado da ONU. “Agora é um momento para a ação”, acrescenta o texto.
Para Ban Ki-moon, a conferência marca “o início de uma jornada que levará a um futuro mais sustentável e melhor para nós e para as gerações vindouras”.
‘Pacote’
“Não haverá linha a mais, porque daí quebra o consenso. Se o texto for reaberto, tudo pode desmoronar e ninguém quer isso”, disse o porta-voz. “É como uma peça de porcelana muito fina, tem que proteger”, acrescentou.
Segundo ele, o texto ficará restrito aos 283 parágrafos do rascunho. “Esta declaração será acordada formalmente amanhã na plenária”, disse.
O porta-voz destacou que o último parágrafo do documento aprovado abre a porta para iniciativas e para o processo de definição dos objetos de desenvolvimento sustentável a serem perseguidos.
“Este documento deve ser visto como um pacote. Uma base, não como um teto”, disse.
Para a ONU, já pode ser considerada uma grande conquista da Rio+20 é o fato de os governos, líderes empresariais, sociedade civil e filantropos terem intensificado as parcerias, o financiamento e as ideias.
As Nações Unidas informou que em paralelo ao documento oficial, já foram anunciados durante a conferência 517 compromissos voluntários de desenvolvimento sustentável assumidos por governos, empresas e sociedade civil.
 
Até amanhã,amig@s!
 
Fonte: G1

Marcha global: cartão vermelho para ruralistas

Sindicalistas, indígenas, estudantes, velhos, moços, crianças. De cara pintada, com apitos, faixas e bandeiras nas mãos, manifestantes colocaram seu bloco na rua, durante a marcha global da Cúpula dos Povos na Rio+20.

 A caminhada, que partiu da Candelária e seguiu pela Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, reuniu na tarde desta quarta-feira, 20/6, cerca de 20 mil pessoas, de acordo com a polícia militar. Os organizadores estimam 50 mil participantes.
O movimento socioambiental foi o mais marcante. Durante a caminhada, ambientalistas ergueram faixas onde se podia ler desmatamento zero (Greenpeace), ou portavam apitos e cartões amarelos e vermelhos endereçados à presidente e a deputados ruralistas (campanha Floresta Faz a Diferença). Alguns iam mais longe e provocavam a presidente com uma pergunta direta: “Dilma, com que cara você chega na Rio+20?”.
O recado principal das ruas que deve ser ouvido pelos governantes é de que o governo atual, ao lado do Congresso brasileiro, cometeu no último ano uma série de retrocessos, o maior deles a desconstrução da mais importante legislação de proteção às florestas, o Código Florestal.
O protesto contou com o bom humor nas faixas , que faziam paródia com o nome do BNDES (Banco Nacional do Desmatamento e da Exclusão Social) e da ministra Izabella Teixeira (Sinistra do Zero Ambiente).
Políticos como o ex-secretário do Meio Ambiente Fabio Feldmann e os deputados federais Ivan Valente e Alessandro Molon participaram da caminhada pacífica, que terminou por volta das 17h30.

Até amanhã,amig@s!

Crédito de Imagem: Dilliany Justino/Imagens do Povo
Fonte: Instituto Carbono Brasil

O Ártico pede socorro

Nesta quinta-feira, dia do solstício, quando a luz do Sol não se apaga por 24 horas no Círculo Polar Ártico, o Greenpeace começou uma corrida contra o tempo para transformar um dos mais frágeis ecossistemas do planeta em santuário global.

Enquanto um gigantesco “urso polar” era inflado nos céus do Rio de Janeiro, a organização aproveitou sua participação na Rio+20 para anunciar uma campanha que deseja banir a exploração de petróleo e a pesca predatória no Ártico. Animal símbolo desta empreitada, o urso polar é uma das espécies que correm risco de extinção com o derretimento do polo norte.
A exemplo do que ocorreu vinte anos atrás com a Antártida, declarada santuário justo quando a indústria da mineração avançava sobre seu território, a campanha do Greenpeace pretende mobilizar cidadãos de todo o mundo para que a ONU aprove uma resolução que torne o Ártico um território global. As poucas esperanças de avanços durante a Rio+20, entretanto, fracassaram devido ao lobby dos Estados Unidos, Canadá e Rússia – as três nações que possuem territórios no Ártico.
“O Ártico está sob ataque por isso é necessário que as pessoas se levantem para exigir sua proteção”, disse Kumi Naidoo, que participou do lançamento da campanha no Rio de Janeiro. “A proibição da exploração do petróleo offshore e da pesca predatória seria uma vitória importante para salvar esta preciosa região e para as populações nativas que lá vivem.”
A atriz Lucy Lawless, que deu vida ao personagem da série “Xena, a Princesa Guerreira” também veio ao Brasil para o lançamento da campanha. Em setembro, a atriz será julgada juntamente com ativistas do Greenpeace por sua participação na ocupação de 72 horas de um navio de exploração de óleo da Shell. O navio rumava para o Alasca, onde, neste verão, iniciará a perfuração de poços de petróleo na região.
Mobilização
Além de Lawless, uma longa lista de personalidades declararam apoio à campanha. Paul McCartney, Penelope Cruz, Robert Redford, Pedro Almodóvar, Thom Yorke, Emily Blunt, Baaba Maal, Javier Bardem, entre muitos outros, terão seus nomes escritos em um pergaminho que em breve será enterrado no fundo do mar do Ártico, quatro quilômetros abaixo do gelo. Uma bandeira demarcará o local exato onde o pergaminho será colocado –um ato simbólico para declarar aquele um território global.
Tendo inicio na Rio+20, a intenção do Greenpeace é recolher milhares de nomes que também ficarão registrados no pergaminho em apoio à proposta. Qualquer pessoa pode participar por meio do site www.SaveTheArctic.org.
Uma das regiões mais inóspita do planeta, o Ártico abriga um sensível ecossistema, já ameaçado pelo aumento das temperaturas globais. A exploração de petróleo traz ainda mais riscos, uma vez que um vazamento seria praticamente impossível de se limpar. A Shell é a primeira grande empresa a definir o Ártico como foco de suas atividades exploratórias. Se a empresa tiver êxito em suas primeiras perfurações, teme-se o início de um corrida sem precedentes pelas últimas gotas de óleo do planeta.
“Estamos desenhando uma linha no gelo e dizendo aos poluidores: ‘Vocês não irão além’”, disse Kumi Naidoo. “O Ártico é o refrigerador do planeta, que nos mantém mais frios ao refletir a energia do Sol por meio da superfície de gelo. Mas se o gelo de Ártico derreter, a vida e a subsistência em todos os continentes estarão ameaçadas.”

Até amanhã,amig@s !
 
Fonte: Greenpeace

‘Não pode haver sustentabilidade debaixo da ocupação’, diz representante da Palestina

O representante da Autoridade Nacional Palestina na Rio+20, chanceler Ryad Maliki, disse em seu discurso ao plenário da conferência que “não pode haver sustentabilidade debaixo da ocupação”.
 
Ele lembrou que 132 países, incluindo o Brasil, já reconheceram o Estado palestino em Gaza e na Cisjordânia, com capital em Jerusalém Oriental, mesmo sem um acordo de paz com Israel que leve à desocupação total desses territórios, pedida em resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Maliki disse que o fato de Israel manter grande parte da Cisjordânia e o setor árabe de Jerusalém, onde vivem mais de 400 mil colonos israelenses, impedem a integração econômica dos territórios palestinos.
Além disso, não há ligação terrestre nem relação política entre a Cisjordânia, sede da Autoridade Palestina, e Gaza, que foi desocupada por Israel, mas é controlada pelo grupo islâmico Hamas. O grupo venceu eleições legislativas em 2006, mas seu governo não foi reconhecido por EUA e europeus.

 Até amanhã, amig@s!
 
Fonte: Folha.com

Evento paralelo à Rio +20 gera mobilização em redes sociais

Um assunto chama a atenção na lista dos mais comentados do Twitter nesta terça-feira (19) no Brasil. O Rio + Social é um evento paralelo à Rio +20 (Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável) que tenta mobilizar pessoas em torno das redes sociais na internet para transmitir conceitos de desenvolvimento sustentável.

Reunidos em um hotel na praia da Barra, na zona oeste do Rio, dezenas de internautas usam o Twitter, Facebook, Pinterest, Google+ e outras redes sociais para chamar a atenção da sociedade digital enquanto assistem a debates com líderes nesta área, como o presidente da Fundação das Nações Unidas, Ted Turner, personalidades e pessoas ligadas à tecnologia.
Entre os temas abordados nos debates e palestras “tuitados” pelos participantes, estão a preservação ambiental, a maior participação das mulheres nas decisões mundiais e ações individuais com benefícios coletivos, como a reciclagem.
Todos os temas estão sendo tratados pelos representantes de governos na conferência da ONU que acontece no Riocentro.
Turner afirmou que abordar essas questões na internet é fundamental porque as informações e as notícias podem mudar o mundo. “Nunca se teve tanta informação disponível quanto hoje por causa da internet. Nós podemos usar essas ferramentas para preservar o ambiente. Destruindo o ambiente, estamos destruindo a nós mesmos”, disse.
Brasileiros participam dos debates, como o apresentador de TV, Luciano Huck, e a cantora Daniela Mercury. O ex-jogador de futebol Ronaldo enviou uma mensagem de vídeo. São esperados para os debates desta tarde a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e a representante da EDP no Brasil, Ana Maria Fernandes.

Até amanhã,amig@s!
 
Fonte: Folha.com

sábado, 23 de junho de 2012

Mulheres protestam contra texto final da conferência

Com cartazes e lenços nas mãos, dezenas de mulheres protestaram na tarde desta terça-feira (19) no Riocentro contra o texto final da Rio+20 aprovado minutos antes pelas delegações.
A principal crítica do grupo de contato das mulheres é a retirada da expressão “direitos reprodutivos”, que designa a autonomia da mulher para decidir quando ter filhos, do documento. O texto finalizado pelo Brasil na madrugada de hoje fala apenas em “saúde reprodutiva”, que contempla apenas o direito de acesso a métodos de planejamento familiar.
A manifestação começou silenciosa e as primeiras mulheres que ousaram gritar palavras de ordem, foram silenciadas por um segurança. Elas então começaram a movimentar lenços no ar, em sinal de protesto. Mas não demorou muito para que o grupo aumentasse e percebesse que poderia fazer barulho ali, entre os principais pavilhões do Riocentro, sem ser reprimido novamente.
“Agora não é hora de ficar em silêncio. Ainda temos tempo de mudar isso”, disse a mexicana Lydia Durán, diretora-executiva da Associação para os Direitos das Mulheres em Desenvolvimento. “O documento é muito fraco não responde às necessidades da população e do planeta”, completou.
O Brasil cedeu à pressão do Vaticano, que teve o apoio de Chile, Honduras, Nicarágua, Egito, República Dominicana, Rússia e Costa Rica.
“É muito decepcionante o texto. O texto fala sobre ganância das grandes corporações e não sobre economia verde”, criticou a canadense Tereza Turner da ONG Friends of the Earth.
A indiana Ananya Dagupta, contudo, ainda tem esperança que haja mudanças no documento até o fim da cúpula. “É por isso que estamos aqui, para que ouçam nossa voz e mudem novamente o documento”, disse.

Até amanhã,amig@s !
 
Fonte: Folha.com


Governo do Amazonas libera uso de mercúrio no garimpo

O governo do Amazonas regulamentou a licença ambiental para o garimpo, liberando o uso de mercúrio na separação do ouro de outros materiais.
A utilização do metal é polêmica, porque polui rios e contamina peixes e seres humanos, podendo provocar intoxicação e lesões no sistema nervoso. Há 20 anos, ecologistas pediram a proibição do uso do mercúrio na Carta da Terra da Eco-92.
Legenda: Homens trabalham em garimpo no rio Madeira Crédito: Antonio Gaudério - 26.abr.1991/Folhapress

O DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), o Ibama e ONGs — que participaram das discussões para elaboração da norma — criticam pontos da regulamentação.
Já os garimpeiros do rio Madeira aguardavam a publicação da licença no “Diário Oficial”, que ocorreu nesta segunda (18), para retomar a exploração de ouro, interrompida no fim de 2011 após suspensão de uma regra anterior do governo do Amazonas.
CONDIÇÕES
O uso do mercúrio passará a ser permitido com algumas condições. Será preciso comprovar origem da compra, utilizar equipamento (cadinho) para recuperação do metal, transportar resíduos para depósitos autorizados, recuperar áreas degradadas e apresentar um estudo de impacto ambiental, o EIA/Rima.
O governo do Amazonas diz que o “boom” no mercado de ouro e a necessidade de combater os garimpos ilegais no rio Madeira, que prejudicavam a passagem dos comboios de soja no sul do Estado, motivaram a emissão da licença. A fiscalização ficará a cargo do governo estadual, com apoio do Ibama.
Estima-se que 3.000 garimpeiros tenham produzido uma tonelada de ouro na última safra, de junho a dezembro, no rio Madeira. No rio Juma, em Novo Aripuanã (530 km ao sul de Manaus), e nos rios Jutaí e Japurá (no oeste do Estado), há garimpos clandestinos em atuação.
O coordenador de qualidade ambiental do Ibama, Diego Sanchez, afirma que o órgão cobrou a inclusão de exigência de levantamento prévio dos níveis de contaminação de mercúrio no ar, água e peixes em regiões já exploradas pelos garimpeiros, sem sucesso.
“Seria o mínimo de segurança ambiental que se poderia dar às populações locais.”
Para ele, a nova regra é mais branda do que as exigências federais de licenciamento ambiental — hoje, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) regula o uso do metal na extração mineral pelo país.
Para o geólogo Fred Cruz, do DNPM, o uso do mercúrio na atividade é desnecessário. “Já existe tecnologia que permite separar o ouro de outros materiais”, afirma.
Carlos Durigan, da Fundação Vitória Amazônica, que trabalha com extrativismo florestal no rio Negro, diz que a licença não garante a comprovação prévia e periódica da origem do mercúrio, prejudicando a fiscalização da cadeia de compra do produto e abrindo brechas para o contrabando. “É o que acontece hoje na Amazônia.”
OUTRO LADO
Para o secretário-executivo do Cemaam (Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado do Amazonas), José Adailton Alves, a permissão de uso do mercúrio nos garimpos atenderá às pequenas cooperativas familiares.
Segundo Alves, o conselho optou por exigir um levantamento dos níveis de contaminação em regiões já exploradas somente após o licenciamento. Ele disse ainda que todas as áreas de lavra garimpeira serão monitoradas periodicamente.
Alves nega que a nova licença seja mais branda do que as exigências do Conama. “Isso não é pertinente, pois o licenciamento atenderá todos os requisitos técnicos e ambientais necessários. A resolução prevê a exigência do estudo de impacto ambiental”, afirmou.
O presidente do Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas), Antonio Stroski, disse que os garimpeiros terão de comprovar a origem da compra do mercúrio -até 30 dias após a emissão da licença ambiental- como forma de combater o uso do produto em atividades ilegais.
O instituto afirmou que o impacto do mercúrio será tratado posteriormente.
Para Anélio Vasconcelos, presidente de uma cooperativa de 587 garimpeiros do rio Madeira, a exigência do estudo de impacto ambiental inviabilizará a atividade. “Nossa licença de lavra é para 400 quilômetros de rio. Um estudo ambiental custaria R$ 1 milhão e uns quebrados, o que é inviável para as cooperativas”, afirmou.

Até amanhãamig@s!
 
Fonte: Folha.com

Documento final da Rio+20 deixa decisões para o futuro

O documento final da Rio+20, “O Futuro que Queremos”, foi aprovado sem alterações na manhã desta terça-feira (19) por representantes de quase 190 países. Sem avançar muito na agenda socioambiental e jogando todas as decisões para o futuro, o texto foi comemorado por evitar retrocessos.
A principal resolução do documento é lançar um processo para a definição de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um conjunto de metas que visa substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio a partir de 2015, incorporando critérios socioambientais. A proposta das metas será feita em 2013, após sua definição por um comitê técnico designado pela ONU.
Outra decisão para o futuro é criação de um grupo de 30 especialistas para propor, em 2014, uma solução inovadora para o financiamento ao desenvolvimento sustentável.
“O documento é uma base sólida para trabalharmos não no imediato, mas com uma visão de médio e longo prazo”, afirmou a jornalistas o chanceler Antônio Patriota, após a plenária que aprovou o texto proposto pelo Brasil após três dias de consultas entre países. Segundo Patriota, é a primeira vez na história da ONU que um documento tem os três pilares do desenvolvimento sustentável — social, ambiental e econômico — bem equilibrados.
“O documento é rico em potencialidades”, filosofou a embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da missão brasileira na ONU.
Ambientalistas, porém, criticaram a falta de ambição do texto e o fato de que, em sua maior parte, o esforço diplomático conseguiu apenas repetir os compromissos de 1992.
“Você entrou numa reunião no Rio em 2012 e saiu achando que estava no começo de uma reunião no Rio em 1992″, resumiu Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace. “A conferência não está entregando nada além de uma promessa de que até 2015 tudo talvez possa estar resolvido.”
Um dos principais resultados esperados pelo Brasil no texto acabou não saindo: a decisão de lançar o embrião de um acordo para a proteção de áreas marinhas além de jurisdições nacionais — que cobrem 50% da superfície da Terra.
Por pressão de uma aliança improvável formada pelos tradicionais inimigos EUA e Venezuela, com apoio de Cingapura e Japão, o texto sobre os mares foi “aguado” entre a primeira e a segunda versão. Em vez de decidir lançar as bases para o acordo, a Rio+20 decidiu que a decisão será tomada até 2015, no máximo, pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
“É como dizer para a sua namorada que em três anos você vai decidir se vai se casar ou não”, criticou Sue Lieberman, da ONG High Seas Alliance.

Até amanhã,amig@s!
 
Fonte: Folha.com

Manutenção de ‘responsabilidades diferenciadas’ desagradou EUA

Apesar de elogiar o texto final da Rio+20, finalizado na madrugada de hoje (19) pelo Brasil, o negociador-chefe dos Estados Unidos na Rio+20, Todd Stern, destacou o descontentamento de seu país com a manutenção do compromisso de “responsabilidade comum, mas diferenciada”, assumido na Eco-92, pelo qual países mais ricos devem arcar com custos maiores para o desenvolvimento sustentável.

“Acho que [o texto] não tem muito senso realístico do que direciona o desenvolvimento”, disse Stern, ressaltando que o que levou países hoje considerados emergentes ao sucesso “não veio de fora, mas de seus próprios recursos domésticos”.
Segundo Stern, a orientação do texto poderia ter ido além da “assistência tradicional entre países doadores e receptores” e considerado os outros fluxos de investimento, como entre os países do hemisfério sul.
Ele, no entanto, disse que os EUA não pretendem incluir mais nada no texto final. “Até porque não acredito que a liderança brasileira pretenda abrir o documento. Haveria um grande risco. Muitos países têm descontentamentos com partes do texto”, disse.
Stern ainda rechaçou a ideia de que os Estados Unidos “bloquearam” a discussão sobre oceanos, deixando os trechos sobre o tema enfraquecidos.
“Não acho que os EUA bloquearam a questão dos oceanos. Fomos uma parte ativa da discussão e estamos bem focados nessa área”, disse. O rascunho inicial falava em lançar “o mais rápido possível” um acordo de implementação da Convenção da ONU sobre o direito do mar. O texto atual joga para 2015 uma decisão sobre a criação do instrumento.

 Até amanhã,amig@s!
Fonte: Folha.com

Índios recebem comida estragada durante Cúpula dos Povos

Depois de passar o dia à base de pão com mortadela, os índios da etnia Pataxó, da Bahia, que participam da Cúpula dos Povos, estavam esperando ter um jantar mais saudável ontem (17) no Acampamento Terra Livre, instalado no Sambódromo, no centro da cidade. Eles tiveram que recorrer ao sanduíche porque as quentinhas servidas no almoço pela organização do evento para representantes de cerca de 15 etnias estavam estragadas.
A denúncia foi feita durante um debate sobre soberania alimentar, no Aterro do Flamengo, durante evento paralelo à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Os índios receberam as marmitas com arroz, macarrão, feijão e carne estragados, que foram  recusadas imediatamente pelas lideranças. Não há relatos de doentes.
Da etnia Yanomami, o índio Kopenão, de Roraima, disse que ficou indignado ao receber a marmita com alimentos podres. “Não é comida para cachorro, é comida contaminada que se dá para os indígenas”, reclamou. “Somos seres humanos. Nem animal comia aquilo”. Segundo ele, a carne estava ruim e dava para sentir o cheiro ao abrir a quentinha. “Vimos na hora”, completou.
Liderança da Aldeia Guaxuma, de Porto Seguro (BA), Mucaxo Pataxó também estava entre os que receberam o almoço estragado. “Não comi porque dava para reconhecer. Como representante dos nossos parentes aqui, na hora vi a comida não dava para comer e devolvi. A gente tem costume de coisa boa, apesar de ser índio. Por que tratam a gente assim?”
Se dizendo muito aborrecido, o representante da etnia Xerente, Srewe, de Tocantins, um dos que participou do protesto durante a tarde, contou que foi preciso interromper o debate para relatar a grave situação. “Desde ontem (16) já tinha reclamação que a comida não era de qualidade. Hoje, infelizmente, os povos indígenas não aguentaram. Não estamos acostumados a isso.”
Responsável pelo Acampamento Terra Livre, inaugurado para 1,7  mil índios na última sexta-feira (15), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) informou que suspendeu o contrato com a empresa fornecedora do almoço. Para o jantar deste domingo, e para as demais refeições até dia 22, outra empresa foi contratada às pressas.

Até amanhã, amig@s!
 Fonte: Agência Brasil

Rio+20: texto final tem redução de páginas e deve ficar pronto hoje

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, anunciou na tarde deste sábado que houve uma mudança na dinâmica das negociações para a elaboração do texto final que será apresentado aos chefes de Estado na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Os trabalhos agora apresentam uma dinâmica mais ágil, sem a inclusão de emendas e aditivos, para que os trabalhos sejam acelerados.

 O rascunho sofreu uma significativa redução no número de páginas – de 80 para 56, obtida através da eliminação de pontos repetitivos ou que apareciam de forma duplicada, em diferentes contextos.
De acordo com Patriota, o objetivo é que o texto esteja pronto até hoje, e não na véspera da chegada dos chefes de Estado, marcada para quarta-feira, dia 20. O ministro enfatizou que, apesar da redução do número de páginas, o conteúdo do documento  ficou preservado.
O negociador-chefe do Brasil, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, destacou que a importância e os avanços das negociações. “É um marco que só uma conferência deste porte tem condições de alcançar”.

Até amanhã,amig@s !

Fonte: Jornal do Brasil

sábado, 16 de junho de 2012

Dom Erwin Kräutler: “Lula e Dilma passarão para a História como predadores da Amazônia”

O lendário bispo do Xingu, ameaçado de morte e sob escolta policial há seis anos, afirma que o PT traiu os povos da Amazônia e a causa ambiental. Afirma também que Belo Monte causará a destruição do Xingu e o genocídio das etnias indígenas que habitam a região há séculos. Há 47 anos no epicentro da guerra cada vez menos silenciosa e invisível travada na Amazônia, Dom Erwin Kräutler encarna um capítulo da história do Brasil

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista (Foto: ÉPOCA)
Nesta segunda-feira, um homem grande, de sorriso caloroso e cabelos brancos, embarcou em um avião para o Brasil. Para o Brasil apenas, não. Para a Amazônia. Depois de 40 dias na Áustria, a terra onde nasceu, ele sente falta da geografia que escolheu para ser sua desde o momento em que, ainda jovem e tropeçando no português, descobriu maravilhado que o Reno é “um igarapé comparado ao Xingu”. Dom Erwin suspira de saudades do rio, das gentes, dos cheiros e até do clima da cidade paraense de Altamira, com temperaturas e humores tão intratáveis que só agrada aos mais fortes. Este homem, que circulava livremente por ruas imaculadas na primavera austríaca, onde foi garimpar recursos para projetos sociais na Amazônia, volta agora para sua rotina de prisioneiro. Há seis anos, Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu, não dá um passo no Brasil sem estar sob a escolta dos quatro policiais que se alternam para proteger sua vida. 
Perto de completar 73 anos, Dom Erwin, que acolheu e depois enterrou a missionária assassinada Dorothy Stang, vive na mira de pistoleiros. Homens contratados por gente graúda para calar uma voz que há quase meio século eleva o tom na defesa dos mais pobres e dos mais frágeis, dos indígenas, dos ribeirinhos e dos extrativistas da Amazônia. Dom Erwin tem escrito, com rara coerência, um capítulo crucial de uma história pouco contada no Brasil: o papel da Igreja Católica, especialmente a dos religiosos ligados à Teologia da Libertação e às comunidades eclesiais de base, na proteção dos povos da floresta – e da própria Amazônia – a partir da segunda metade do século XX.  
A maioria das etnias indígenas e das comunidades amazônicas que conquistaram direitos e terras nas últimas décadas deve parte de sua organização aos setores mais progressistas da Igreja Católica. Assim como parte das lideranças políticas que hoje influenciam os rumos do país surgiu na atuação de base da Igreja. Isso vai muito além da religião – é História. E uma história cujo sentido as alas mais conservadoras da própria Igreja preferem enfraquecer. Neste capítulo, Dom Erwin, capaz de falar tão bem o grego clássico quanto a língua dos Kayapó, é um dos protagonistas mais fascinantes.  
E resistente. A cada ano, apesar da idade avançada e das dores na coluna, ele visita 15 paróquias do Xingu. Ao alcançá-las, peregrina pelas comunidades dos cafundós. Dorme no barco, dorme em rede. Acostumou-se tanto à dieta local, que fica feliz por comer peixe no almoço e no jantar, de segunda a segunda. É adorado pelo povo mais pobre – e odiado sem reservas por parte da elite paraense, que o ataca também pela imprensa de Belém do Pará. 
Desde a decisão de Lula, e agora de Dilma Rousseff, de arrancar Belo Monte do papel, o quase lendário bispo do Xingu tem feito uma oposição incansável contra a hidrelétrica que provoca controvérsia dentro e fora do Brasil. Por causa dela, tornou-se uma presença incômoda para setores do governo e do PT que um dia apoiou – inclusive com o seu voto. Incômoda, especialmente, porque é difícil destruir a reputação de um bispo que mantém a coerência desde a ditadura militar em uma das regiões mais conflagradas do país, ajudou a escrever os artigos da Constituição de 1988 que garantem os direitos indígenas e não recuou nem mesmo diante da ameaça de perder a própria vida.  
Nesta entrevista, Dom Erwin diz o que pensa contra antigos aliados com o mesmo desassombro com que denunciou grileiros e estupradores no passado recente. Acusa o PT de “traidor” – e diz que alguns petistas são “fanáticos religiosos”. Afirma que Lula e Dilma implantaram uma “ditadura civil” ao “desrespeitar os direitos indígenas assegurados na Constituição”. E afirma que Lula passará para a História como “o presidente que destruiu a Amazônia e deu o golpe nos povos indígenas”. 
 Às vésperas da Rio + 20, o depoimento de Dom Erwin Kräutler abre uma janela para a compreensão da história contemporânea. A entrevista a seguir foi feita na casa do bispo, em Altamira, com os policiais militares que o protegem do lado de fora da porta, mas atentos. Os quatro policiais demonstram uma preocupação que transcende o dever: adoram Dom Erwin, que conhece suas mulheres e filhos e escuta suas aflições de cada dia.
Em três horas de conversa, Dom Erwin não evitou nenhuma pergunta. Vale a pena abrir um espaço para escutar com atenção um homem capaz de apontar as contradições e ampliar a complexidade do momento estratégico vivido pelo Brasil, no qual as escolhas tomadas hoje determinarão o que seremos amanhã.
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